Diogenes
Diogenes era um homem
Que desprezava as riquezas
Em seu tonel, sua casa
Popular em toda a Grécia
Passeava durante o dia
Em suas ruas de Atenas
Com uma lanterna na mão
- Ando à procura de um homem
Manuel Vaz
Epicuro
Epicuro homem grego por amor
Discípulo em Atenas.....
A todos desejava o eterno bem
Sua cultura do bem, sua existência
Longe de interesses materiais
A cultura do espírito procurava
Homem casto pela sua experiência
Dando um mundo melhor por consciência
Manuel Vaz
Arquimedes
Arquimedes de Siracusa
Sábio da antiguidade
Inventou o parafuso
E até as rodas dentadas
Homem de génio inesgotável
Os Romanos queriam Siracusa
E em três anos a tomaram
Arquimedes, uma lança romana o trespassou
Manuel Vaz
O Fogo
O fogo sagrado fogo
Que prometeu, adeus aos deuses
Num colégio de vestais
De outras eras
O fogo sagrado era mantido
Nos altares em que não se extinguia
O fogo amado sobre a terra
A luz que a todos alumia
Manuel Vaz
Platão, Aristóteles
Aristóteles discípulo de Platão
Seu nobre mestre
Luminares génios da antiguidade
Homens de pensamentos lestos
No cume está a ideia do bem
De aquele que a todos fez sorrir
Homens da antiguidade que deixaram
A mensagem do amor
Manuel Vaz
Descobertas
Pela janela vi o Sol chegar
Com mil alentos, pr'a Pátria encontrar
Um fio de luzes sem se lamentar
É Portugal a estrear, das descobertas
Diogo Cão, Vasco da Gama, Cabral
Rumando por vagalhões, e vagas
O encontrar outras terras, outros lugares
Foi Portugal prosperar em seu lugar
Manuel Vaz
O Zé Sacristão
O Zé da sacristia
Que era, menos sacristão
Do que parecia
Batia e batia no peito
Acendia tantas velas
A dez santos prometia
Se ganhasse a lotaria
Um novo altar construía
Manuel Vaz
Na aldeia
Corria um medo pela aldeia
Ao cair da escuridão
Muitas lendas contavam
Que lobisomens furtavam
Vai não olhes pr'a trás....
Pois numa estátua te tornarás
E, o bom aldeão até corria
Não sabendo quem falara
Manuel Vaz
Horas e Relógios
Horas relógios, e cansaços
Tudo nas horas vagas
Mais o que for, que tragas
Porventura novos laços
São seis horas, já trabalhei
Tiro o fato macaco
Com o empilhador deitei
Metade do armazém abaixo
Manuel Vaz
Praça
Frutos frescos ao raiar do dia
Já a praça se enchia
Ao pregão de uma varina
Hoje há peixe fresco, tão lindo
Eu pr'o cacau nada via
Só pequenos aluviões
Que me chamavam ao longe
Olha o Zé das procissões
Manuel Vaz
O circo
Crente nos dias, dos crentes
Circos, palhaços, acrobatas
Astros de meios, momentos
Esses os transcendentes
O circo veio à cidade
E a todos convocou
Seja assim a estrada, crente
No cair deste poente
Manuel Vaz
Arte Sacra
No domingo de manhã
O Padre aflito procurava
Pelos santos de arte sacra
Por alguém, que os palmou
Socorro, socorro, gritava
O povo todo juntava
A arte sacra, já lá canta
Já rendeu alguns milhões
Manuel Vaz
Enciclopédia
O doutor enciclopédia
Chamavam todas as gentes
Seu consultório de livros
De livros dos clementes
Cura para todos os doentes
O enciclopédia achava
Ter a cura dos doentes
Nos seus livros de alentos
Manuel Vaz
Abelhas
Abelhas, e a sua Rainha
Vêem me procurar
Que entre beijos quentes
partem assim a voar
Numa flor em que bebeste
Vens-me embriagar
Fico lânguido sorvendo
Teu mel degostar
Manuel Vaz
Aves
Aves migratórias raras
Sobre os mares a voar
Companheiras de aventuras
Que ninguém as saberá
Aves com o poente longe
Matizadas a cruzar
Todo o vasto Oceano
Que não deixa de cantar
Manuel Vaz
Nobreza
Pérolas, matizes, da nobreza
Candelabros, a voar
Violas gastas da pobreza
Que ao fundo se fazem ecoar
Tantas pérolas, tantas jóias
Com que se vão enfeitar
Mais valia a pobreza
E que fossem trabalhar
Manuel Vaz
O Olhar vago, singular
Alguém trouxe pétalas novas
São de rosas e de ouros
E o espanto de outras prosas
São delicias, mas novas
Que se expandem, ao chegar
Haja luzes, haja rosas
Do bom céu, do bom lugar
Manuel Vaz
Serafin e Querubim
Serafin em sua albarda
De um burro ocioso
Querubim já cansava
A um néctar precioso
Serafin picava o burro
Só marchava pr'a trás
Querubim pr'a toda a obra
Às costas leva o burro
Manuel Vaz
Reverência
A entrada pr'a igreja
Os pombos em reverência
Por algum milho e pão
Comiam na minha mão
Alguns pobres, Deus lhes valha
Obrigado pela atenção
Não saberemos se um dia calha
Ser pedinte, e não ter pão
Manuel Vaz
Lua cheia
Papoilas de ópio, e um mar crente
Que em sua órbitra se desmente
Uma lua cheia, como um espelho
Que gosta de iluminar
Uma índia de ídolos dementes
Que surgem ao acordar
Luzes que caem ao acordar
Nobres juízes, subir clementes
Como velas no altar
Manuel Vaz
Licores
Entre rosas e açucenas
E admiráveis, licores
Minha alma eloquente
De outras flores, outros amores
Sentia-te tão presente
O calor das tuas mãos
Que me enchiam de contentes
Os caminhos do coração
Manuel Vaz
A teus pés
Rosas virgens, a teus pés deponho
E o teu nome chamo-o baixinho
Sobre o altar rezaste e ponho
Rosas brancas e arminho
Entre os claustros, frios vazios
Sem estrelas, sem um lamento
Fazes-me lembrar o alto ermo
Onde a nossa igreja vive
Manuel Vaz
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