segunda-feira, 2 de junho de 2014

Fotos de Manuel Vaz



Mais Manolo Poetry

O SOL

O Sol abriu-se em conjuntura
Como uma estrela diferente
Que a nosso olhar candeia, vela
Corpo enterrado que se aventura

Olhar distante de uma gazela
De cor ardente num afluente
Para um rio novo de Sol na frente
O espasmo selvícola de um momento

                                                                  Manuel Vaz


ANA TERESA

Basta, clama a natureza
E forte é o seu clamor
Cheia de flores de tristeza
Árvores pintadas de olvido

Perdida a água que era tão pura
Montanhas vulcânicas derramando
Pelo ciclone que insinua
Ir para mais forte retornar

                                                                                          Manuel Vaz


GUERRA

A chuva de prata caia na areia roxa
Terrível, imparável a agonia
Pois ali tinham perecido os soldados
Mais todo o povo d’aldeia esquecida

O silêncio petrificou o solo
E nem um pequeno pássaro se ouvia
Tudo ali estava estagnado morto
Como da noite não nasce-se o dia


                                                                                       Manuel Vaz

POLITIK II

Porco javardo descia á cidade
Javardão todos o chamavam
Volta para a javardice e não voltes
Nem que se peça por piedade

O porco javardo todo pingado
O povo passava, e ele fazia manguitos
Pior que esterco enlatado
A cada passo pr’a terra cuspia

                                                                                      Manuel Vaz


CAMPONESA

O trigo e o trigal cheio
De uma imensa alegria
Assim se debruça a ceifeira
Trazendo o nosso pão amigo

Tudo é são e puro na cisterna
Aberta ao meu coração contigo
Lesto meu amor terno, doce ……
Minha querida de coração comigo

                                                                                           Manuel Vaz


CORPOS

O céu tingido pelos astros
Roubando a cor à s estrelas
Arpões feitos de aço
Corpos desfeitos, outros laços

Névoa e gritos no asfalto
 Pós lunares a saltear
 Acompanhas com o olhar
É tanta a fogosidade

                                                                                    Manuel Vaz


LISBOA

Tejo é rio que corre em tantas gentes
Nas veias de alfama e de varinas
Turistas procuram vela ao vento
Outras naus que do tejo despediam

Mouraria onde estala o fado
Bairro Alto a sardinha
Esta é Lisboa seu céu azul, aberto
Que abraça o corpo da poesia


                                                                                      Manuel Vaz