terça-feira, 11 de agosto de 2015

Emilia

Corolas de corais, hastes. de peixes
Mil e mais uma cores dispersas
Emília avó, pés descalços
Como nu e roto estava o vento
Avó que mastigava as uvas
O corpo da noite tão doente
Mastigava o corpo de viúva
Batendo nos cataventos
Mares alheios, cardumes loiros
Emília obedecia crente
Escamas seus pés cobertos
Em estirpe do coral um templo
Terno amante
De um corpo ausente.

Ballet

Manhã precipitada ocre
Tal laranjinha exprimida numa taça
Taça de enfeites e frutos doces
Bailando pela aragem grada
Laranjas, rubis, cerejas fartas
Rendo-me ao seu sabor,
De abelha que sorri crucificada
.............,..................................
Abelha amarga ao céu prometida
A abelha adormece, mil corolas
Essas eternas
.................................................
Sapatilhas de ballet
Tu pequenina querida
Voavas sob o largo palco
Dando golpe de princesa

Raízes

Meu corpo de raízes fartas
Na nudez do olhar capela
A vida emancipada em débito
Como a cascata é o mar
Galeras naufragadas opalas
Corolas que nos adormecem
Exalando as cores dispersam-se
O arco-iris salgado adoece
E eu vou no mar de rosas
Singular
Tão longe como o voltar

Roda dentada

A rosa amarga quer, beber
Nas rodas dentadas do petróleo
Uma escova de dentes
E baú mágico
De onde roubei todas as próteses
E os sonhos pálidos
Adormeceram.

Nostalgia

Acordo de um sonho de nostalgia
Árido, sem pão, sem literatura
Sem uma dívida ao fisco, às finanças
Ou algo que eternizasse, o meu nome
Senhor política, seu colarinho branco
Abram as comportas cheias de neve
E deixai a água viva
Percorrer o longo mar da vida.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

May Poetry

Na vertente um soldado
Acena com a sua mão
O caminho florido
E este canta uma canção

Os fotógrafos a devoram
Querem parte de Leão
Haja Deus, e que nos guarde
De tanta lamentação

Tigre, Eufrates de mão em mão
Vai o Nilo inundando
Grande parte da nação
Joelhos em contrição
Não vá a cheia levar
O que restará no verão

Que o Oriente médio
Se aperte em confusão
Assim nasce o coração
Veja o homem
O seu irmão
Nasça assim nova canção







Sideral telefonia
Brandos espaços
Um homem numa jaula
Na companhia dos cães
Chuva ácida ingrata
Pois tudo é ingratidão
Deus nos valha e ao processo
Que não aparenta solução
Um diamante que foge
Nos negros dedos aflição
Há que ter as vistas largas
Pois pequena é a visão
Sideral telefonia
Transmitindo pelo céu
Nas casas da alegria
Nas casas da solidão
Barco solar que desperta










As naus regressaram
E o bulício com pressa
De tangerina e limão
Animais raros e turquesas
Era o rei camaleão
O tejo naufragara
Em cambiantes de luz
Luz perdida pelo chão
Pauzinhos de canela Pezinhos de açafrão
Grandes côcos maduros
Com caril à refeição
Foi o século em que perdi
Tudo o que era ilusão
Reis nus e pés descalços
Mais uns santos em profissão
Por louco, está o Sol
Ao passar a procissão
Tudo espera e em surdina

Segregam……… mais um cristão


                                   Manuel Vaz

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

The Doors - People Are Strange (Binaural Remastered Sound)


Manolo and me at Tagus River border

Manolo poetry 2015 part one

POLITIK III

Eram doze pregos mortos
Cegando-te à partida
De um homem negro e podre
Que queria sugar pelas veias

Seu corpo um excremento
Roubado ao ser vulgar
Vivendo num mundo cinzento
Fechado pelo mar


CABRAL

O compasso o mapa o astrolábio
Na mesa tudo estava estendido
Viagem Cabral feliz aduaneiro
Cruz de Cristo sob o mundo inteiro

Novas estrelas que do alto chamam
As caravelas navegam ao cruzeiro
Que lá longe foram sem um queixume
E com boas novas de lá voltaram

NEVEGAR

Entre aspas e desencontros
Entre o vago e o possível
Navegámos tantos mares
Mesmo os revoltosos impossíveis

E lá vai a caravela à barca
Bolinando contra o vento
Fazendo com que o tempo
Cresça sempre em flor crescente


A UM FIEL AMIGO

Olha o pranto derradeiro
Como lavar ambas as mãos
Um sôfrego e um primeiro
Um ser nu apalpa um cão

Toma um osso buco e engoli-o bem
Assim como me és fiel
Mau amor também

Assim fiel espera por mim
No paraíso dos cães
Se me seja permitido


PRINCESA

Mar salgado galeões raros
Adormece uma princesa
No Oceano profundo
Desafiando a natureza

Mais de mil anos está deitada
À espera com que nobreza
O eleito a encontre
A desperte de sua grinalda verde