Corolas de corais, hastes. de peixes
Mil e mais uma cores dispersas
Emília avó, pés descalços
Como nu e roto estava o vento
Avó que mastigava as uvas
O corpo da noite tão doente
Mastigava o corpo de viúva
Batendo nos cataventos
Mares alheios, cardumes loiros
Emília obedecia crente
Escamas seus pés cobertos
Em estirpe do coral um templo
Terno amante
De um corpo ausente.
IDEIAS E REFLEXÕES DE MANUEL VAZ
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Emilia
Ballet
Manhã precipitada ocre
Tal laranjinha exprimida numa taça
Taça de enfeites e frutos doces
Bailando pela aragem grada
Laranjas, rubis, cerejas fartas
Rendo-me ao seu sabor,
De abelha que sorri crucificada
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Abelha amarga ao céu prometida
A abelha adormece, mil corolas
Essas eternas
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Sapatilhas de ballet
Tu pequenina querida
Voavas sob o largo palco
Dando golpe de princesa
Raízes
Meu corpo de raízes fartas
Na nudez do olhar capela
A vida emancipada em débito
Como a cascata é o mar
Galeras naufragadas opalas
Corolas que nos adormecem
Exalando as cores dispersam-se
O arco-iris salgado adoece
E eu vou no mar de rosas
Singular
Tão longe como o voltar
Roda dentada
A rosa amarga quer, beber
Nas rodas dentadas do petróleo
Uma escova de dentes
E baú mágico
De onde roubei todas as próteses
E os sonhos pálidos
Adormeceram.
Nostalgia
Acordo de um sonho de nostalgia
Árido, sem pão, sem literatura
Sem uma dívida ao fisco, às finanças
Ou algo que eternizasse, o meu nome
Senhor política, seu colarinho branco
Abram as comportas cheias de neve
E deixai a água viva
Percorrer o longo mar da vida.