IDEIAS E REFLEXÕES DE MANUEL VAZ
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Poetry II
VELUDO
Desprende dos teus dedos de veludo
O elixir dos poetas
Aquilo que os Faz fortes
inconfessáveis
Como peregrinos ascetas
VERTIGEM
Cai da altitude que é profana
E na vertigem olha teu corpo morto
sorri
Tu o excremento que há na terra
Numa tela traça teu retrato
ANJO MUTILADO
Olhei-te ser destroçado
O teu olhar destruído
Anjo sem asas
Que o céu te leve
E que na terra não sejas mais
aparecido
PERDÃO
Ó tu humano que foges
Do fogo fátuo e da companheira
Foges de uma vida inteira
Pede perdão
GRUTA
Difícil é cair na infinita gruta
Onde a luz escasseia ou não
Vencer sete ventres sem tréguas
Ver nascer um filho anão
SILÊNCIO
O silêncio é mudo
Perdeu a sua língua
Com ares de defunto
Que despe a sua alma
O longo olhar, os fumos
Que decretaram o óbito
Um cemitério raso
Como rasa é a terra
Que aos poucos come
Alma liberta evola-te
Sobe aos céus, tua nudez
Terra, só a laje fria
Testemunhou sua passagem
PREGUIÇA
O Sol e a maresia deleitava-se
Espreguiçando-se dourada areia
Tudo parecia absoluto
E num relance se abria
ONDAS CADENTES
As ondas cadentes emergiam
Como vagas estonteadas caiam
Enroladas como os ventos
Morriam
FUGA
Rios que fogem do degredo
De alguma aldeia fugida
FLORES DE ALABASTRO
A laje de alabastro raro
É a campa em que caíste
Quando procuravas dormida
Rios, artérias de um corpo morto
Que ganham vida
SUBURBANA
Obliqua citadina
Que como o mar cresce
Reto o dobrado desce
Fluviais avenidas
POMBAS
Gritos são pombas
Que fenecem
Tão sérias
Num salto mortal
Despertam
MARESIA
Teu corpo de sal coberto
Na estação que acalma dores
Animais cobertos se disputam
PALHAÇO
Solar amargo, já sem ti
Na prostração sem saída
O riso de um palhaço ecoando
Como se um punhal me libertasse
Manuel Vaz
sábado, 23 de agosto de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
POETRY
SUBURBANOS
Na cidade morria afogado
Entre sua conjectura de cimento
Ouvia gritos de pedras levedadas
Ouvia as lágrimas do vento
Em suas luvas de tormento
Contei cinco luas, cinco vezes
Enlouquecido em espasmos frágeis
E talcos de desalento
Quebraste-me meu corpo leve
Que em mil estilhaços se espalhou
Nasceste para seres breve
O resto nas veias brotou
Manuel Vaz
FLORES
Fatídico dia em que pisei
As flores de alabastro
Entre minhas cruzes, inflamou
Minha crua sina, nos astros
Palestra de sons atrozes
Desenhados numa ardósia
Assim é que as nobres flores
São assassinadas
E dormem
Flores inventadas por alguém
Em lugares mortos sem distâncias
Pós de luas e cinzas tristes
Caem a teus pés afagados, nus
Flores subjugadas, violadas
Morrendo ao som dos poentes
Dores atrozes
Que curam os doentes
Manuel Vaz
A NOITE
A noite curva-se e revela-se
Tal asa quebrada
Que espera
A noite está extasiada, ébria
Tateia as estrelas já furtadas
Astros quentes
Sinais de guerras
A que minha destra é propensa
Noite gelada e triste
Tu que esvaziaste as esferas
Tornaste a outro universo
Que repito
Seu olhar certo
Noite que me espera
E a teus passos
Lestos na escuridão
Que desperta
Manuel Vaz
ESTÁTUA
Estátua negra
Cinzel azul e lesto
Para onde olhas, olhar incerto
Estátua negra
O que dirias
Estátua de teus dóceis dedos
Meteoro talhado
Caíste de um espaço gasto
Como gastos teus desvelos
Estátua fria e inerte
Que a perfeição inveja
Talvez fosses a primeira
A exprimir sua feição
Manuel Vaz
O MAR
O mar lastro no caminho
Trazendo algas lilases
Ovários
Peixes breves
O mar rendendo-se na areia
De afogada espuma que desenha
Um fiel retrato
Que desespera
O mar reto em seu silêncio
Com alguns toques de aurora breve
As ondas dobram-se
O mistério
O mar trazendo peixes de harmonia
Desenhados como o resto das estrelas
São visões noturnas
Como o resto que se dispersa
Manuel Vaz
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Mais Manolo Poetry
O
SOL
O
Sol abriu-se em conjuntura
Como
uma estrela diferente
Que
a nosso olhar candeia, vela
Corpo
enterrado que se aventura
Olhar
distante de uma gazela
De
cor ardente num afluente
Para
um rio novo de Sol na frente
O
espasmo selvícola de um momento
Manuel Vaz
ANA
TERESA
Basta,
clama a natureza
E
forte é o seu clamor
Cheia
de flores de tristeza
Árvores
pintadas de olvido
Perdida
a água que era tão pura
Montanhas
vulcânicas derramando
Pelo
ciclone que insinua
Ir
para mais forte retornar
Manuel Vaz
GUERRA
A
chuva de prata caia na areia roxa
Terrível,
imparável a agonia
Pois
ali tinham perecido os soldados
Mais
todo o povo d’aldeia esquecida
O
silêncio petrificou o solo
E
nem um pequeno pássaro se ouvia
Tudo
ali estava estagnado morto
Como
da noite não nasce-se o dia
Manuel Vaz
POLITIK
II
Porco
javardo descia á cidade
Javardão
todos o chamavam
Volta
para a javardice e não voltes
Nem
que se peça por piedade
O
porco javardo todo pingado
O
povo passava, e ele fazia manguitos
Pior
que esterco enlatado
A
cada passo pr’a terra cuspia
Manuel Vaz
CAMPONESA
O
trigo e o trigal cheio
De
uma imensa alegria
Assim
se debruça a ceifeira
Trazendo
o nosso pão amigo
Tudo
é são e puro na cisterna
Aberta
ao meu coração contigo
Lesto
meu amor terno, doce ……
Minha
querida de coração comigo
Manuel Vaz
CORPOS
O
céu tingido pelos astros
Roubando
a cor à s estrelas
Arpões
feitos de aço
Corpos
desfeitos, outros laços
Névoa
e gritos no asfalto
Pós lunares a saltear
Acompanhas com o olhar
É
tanta a fogosidade
Manuel Vaz
LISBOA
Tejo
é rio que corre em tantas gentes
Nas
veias de alfama e de varinas
Turistas
procuram vela ao vento
Outras
naus que do tejo despediam
Mouraria
onde estala o fado
Bairro
Alto a sardinha
Esta
é Lisboa seu céu azul, aberto
Que
abraça o corpo da poesia
Manuel Vaz
quinta-feira, 22 de maio de 2014
MANOLO POETRY II
CORES
Da
terra árida surgindo
A
flor do pensamento
Por
tantos, tantos louvores
O
milagre nasce e cresce
Trazendo
felizes cores
De
âmbar da Andaluzia
Ou
míscaros de Gibraltar
Propondo
vasto o olhar
Manuel Vaz
LATITUDES
A
tua latitude sóbria
Vai
subindo para norte
Um
farol, uma candeia
Tua
atitude nobre
Por
cima deste papel
A
chama arde e sobe
Iluminando
quem vem
Quem
ficou, e quem virá
Manuel Vaz
PASSARINHO
O
sonho corria nas esferas
Que
devagar se levantavam
Pois
algo retumbando sério
Lá
bem do alto chamava
Flor
cortada em seu ninho
Deixa
lágrimas de limão
Até
que um feliz passarinho
Se
apeie e dê a mão
Manuel Vaz
ORAÇÃO
Navega
a tua caravela
Liberta
todas as velas
E
deixa-te ir devagar
Ao
sabor do próprio mar
A
manhã vem clareando
Vai-te
enchendo de matizes
Percorre
esse mar brando
E
rezando vai, uma oração
Manuel Vaz
TEMPO
Estamos
na transversal do tempo
À
espera da tua mão
Tal
bussola do trópico quente
Para
aprender-mos a lição
Esperamos
na viagem
Que
o espaço nos torne errantes
Como
tribo de ciganos
À
procura de um lugar
Manuel Vaz
PÃO
Trigo
em sacas separado
Por
mistério ou exclusão
Para
onde foi trigo amigo
Alimento
da nação
Ser
alimentado a pão
Não
descarta a razão
De
tanta fome n’aldeia
Por
causa de um só pão
Manuel Vaz
CRAVOS
BRANCOS
Focos
de luz, perfumes do Equador
Queda
de cravos brancas flores
Países
povos, flor crescente
Lá
p’ra ai, ilha dos amores
Vasta
procura de uma pequena flor
Como
andorinhas p’los beirais
Realçando
no ar pleno de cor
Plena
vida em festivais e licores
Manuel Vaz
FARAÓ
Em
Hieróglifos tu pensas
Ter
sido um farto Faraó
Daqueles
que medem avenças
Com
o pé deserto no pó
Fundaste
a tua dinastia
E
as pirâmides por oficio
Já
tens sucessores diziam
Que
eras o Faraó dos pobres
Manuel Vaz
POLISTIK
O
olhar se envaidece
P’ras
camaras coloridas
O
povo esse estremeçe
Com
o teu ceifar de vidas
Tu
do alto pedestal
Nem
vês passar avida
Julgas-te
eterno imortal
Numa
bandeja servida
Manuel Vaz
sábado, 17 de maio de 2014
Manolo Poetry
PELEJA
NA ALDEIA
Mulheres,
homens da aldeia
Hoje
é dia de peleja
Armai-vos
cavaleiros, pois seja
E
ponham uma cara feia
A
peleja é uma festa
Alguém
o disse na aldeia
Afiaram
canivetes, armaduras e dentaduras
O
que restou foi a ceia
Manuel Vaz
PRESIDENTE
Mais
um dia de festa na aldeia
Mataram
o melhor borrego
Pois
ia lá o espertalhão
Que
queria ser presidente
Com
licença, com licença
Deixem
o povo passar
Têm
sobras de leitão
E
já sabem a quem dar
Manuel Vaz
O
EFEITO DE ESTUFA I
Olha
o oceano galgando
Feroz
o translucido
Bebendo
o leito continental
Avançando
retumbante
Chorando
em terra alheia
Só
a flor do Liz sobreviveu
O
resto morte canalha
Rompeu
a claridade
Manuel Vaz
O
EFEITO DE ESTUFA II
A
água H2O subi-o a cidade
É
como o ventre de uma mãe talhada
Nada
pode poupar, nem pedir
À
filha da mulher honrada
Sem
norte rasgou o céu
De
uma mulher entubada
É
a terra a ser roubada
E
ninguém vem, dando por nada
Manuel Vaz
O
EFEITO DE ESTUFA III
O
seio da esfera amada
Amamentando
seus filhos
E
pela sombra roubada
Como
roubados os ninhos
É
o som dos passarinhos
Trazem
esperança e alegria
É
mesmo a terra roubada
É
o melhor dos seus ninhos
Manuel Vaz
TOURO
MALHADO
Saltam
saltimbancos e equilibristas
O
paço enche-se de festa
Já
mataram um touro malhado
Que
em brasas ferve
Os
senhores alarves crescem
À
medida que o Sol arde
E
verdes cardos fenecem
No
olhar hipotecado
Manuel Vaz
FESTIM
Nadava
ao longo da costa
Tendo
os peixes por companheiros
Quando
me cercaram as Sereias
Que
fazia em terra alheia?
Expliquei-lhes
que Neptuno
Me
havia convidado
Para
um Festim imerso
Na
cidade de Cristal
Manuel Vaz
ARCO-IRIS
Pelos
céus passam restos de arco-íris
Uma
promessa distante
Que
a olho nu é vista
Mantendo
sua constante
Evola
para céus maiores
Moradas
já prometidas
Por
Jesus à dois mil anos
Dois
mil anos de uma vida
Manuel
Vaz
HELENA
De
Esparta vieram por mar
Da
bela Helena espartavam
Tal
Romeu e Julieta
Fugidos
para Troia
Minelau
os persegui-o
Até
às portas de Troia
De
um amor algo infantil
O
cavalo ficou na História
Manuel Vaz
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