Doce pátria, para mim exilado longe
Não faltará saudade e
descontentamento
Eu que rumei a oriente, como o vento
Que me sussurra, tão longa volta
Quando voltar irradiando paço
Como passos de regresso e cinzas
Velarei teu corpo morto, intato
Pois por mim cansada não esperaste
Manuel Vaz
O Sol penetrante pelas serras
Trazendo oiros de outras esferas
Haja na terra uma porta aberta
Como abertas são as procissões
O carpir de lágrimas, o meu fado
Que se destaca no meio de ilusões
Ser eu um homem mais fadado
Manuel Vaz
Teus bules de chá, tuas chávenas rosa
Parindo abraços, que guardei
Teus jardins e tuas águas fartas
Nascendo as crianças dos desejos
Pedras preciosas, pérolas raras
Que descalças nas tuas bijuterias
O Sol tomba e a noite cai
Sombras que fogem ao raiar dos dias
Manuel Vaz
Candeias que caem abismadas
De luzes de anil e de porvir
Que sejam as almas mais cantadas
Que os seus encantamentos
No antro da vaidade vã
Tapetes persas e outros lumes d’oiro
Assim cai a cristandade
Por um adamastor morto
Manuel Vaz
Orgias condenadas descontentes
Brotam nas vagas, tropecem lá dos céus
Que outro morfeu as convidasse
Para morrer com as estrelas
Morfinas, ópios, orientes fátuos
Que caem nos espetáculos do meu ser
Extasiados a meus olhos crentes
Procuram luz nas igrejas e conventos
Manuel Vaz
Sereias novas rumando a ocidente
Meu corpo nu, este poente quente
Aves que rasgam o papel e troçam
Das minhas dores, e meus seres
doentes
Partiram com Neptuno de repente
A cidade marítima as recebeu
Ficaram as virgens com seus lamentos
Rasgaram o livro das sementes
Manuel Vaz
O palco desta vida tormentosa
A feira de Deus, aqui no mundo…
Romarias crentes, perfumes de França
Para esconder as máscaras de cartão
Para sul de palácios majestosos
De raros jardins e de brancas rosas
Em anéis azuis e transparentes
As mascaras fogem do meu ser
descrente
Manuel Vaz
Deusa da felicidade
Em orientes conheci…
Iluminando seus ares
E prometendo o advir
Deusa que eu guardei, em palmas mil
Quero ser do Oriente teu
Bebendo em taças mais formosas
A cicuta dos meus dias
Manuel Vaz
Dilemas e papel bandarra
Forrou meu quarto em ilusões
Flores que realçavam limões e
cristais
E outras louças do Oriente
Vasos chineses me arrebatam
Como rendas de casamentos
Livros nunca antes escritos
Na pele dos sentimentos
Manuel Vaz
Sem comentários:
Enviar um comentário