domingo, 22 de dezembro de 2013

Mais fotos de Manuel Vaz ou tiradas por ele

                                                                     
















segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Mais poemas de Manuel Vaz

Camélia

D’oiros turquesas, pérolas negras
Como a cor da tua pele canela
Com teus longos braços me abraças
Nossas bocas unidas num eterno beijo

Assim a eloquente tarde não aprende
A amar aqueles que amam
Por tanto amor tarde presente
Não cai sequer um lamento


                                          Manuel Vaz

Galinha

O padre come galinha
O sacristão á noite furtou
Mas Sr. Prior eu mereço
Não mereces não senhor

Vendo assim tal desprezo
O sacristão profícuo
Nem que seja a meio da noite já acabou
Que o estomago deste padre se encha de bolor

                                          Manuel Vaz

Nobreza

Vinhos mais licores outros prazeres
Esta malta ociosa, em biombos se despiam
Era vinho os seus odores arrotaram os licores
Pois de orgia foi a noite, e o Sol marca meio-dia

Pós de talcos pós de arroz a esconder
A face da meia-noite a levantar-se de dia
ÉS assim velha nobreza
Mais pobre do que um mendigo

                                       Manuel Vaz

Luas

Perfumes de rosas e outras fragâncias
Era o odor da noite ao luar
Lua cheia, mas tão cheia que parecia um balão p’lo ar
Lua de outros estilos e elegâncias

Cetins arminhos pedrarias raras
P’la lua conquistar
Seja lua cheia o céu na terra
Como o olhar das estrelas ao luar

                                       Manuel Vaz

Vendaval

Vendaval de agonias várias
No jardim conventual
Dizem até as pobres freiras
Que o mundo está-se a acabar

Era a chuva no nabal que prometeu ficar
A assustar as próprias freiras
Que rezavam na esperança
Do mundo não se acabar

                                              Manuel Vaz

Padre do lazer

Andar só e ocupado
Ter tanto para fazer
Cuidar das pombas alheias
Deste padre do lazer

O pobre padre não foi de modos
E do garrafão foi beber
Esqueceu-se das hóstias
Pois não tinha o que comer

                                          Manuel Vaz

Noites

Tocam os sinos, labutam as freiras
O Sol na eira trás promessas
De um muro novo crente
Como o são as procissões

Terras novas em seu esplendor
Bons pastos de amor e sementeiras
Que nas noites derradeiras
Surgem como clarões

                                       Manuel Vaz

Naus

Cometas fátuos de timbres delirantes
Quando um doce amor, do mar regressa
Na capela velas cremes vão ardendo
Luzes luminares navegantes

Luzires do abrir florir em flor
Oiros, pratas, pérolas e gaivotas
As naus ao regressarem tão devotas
Em coros baixinho ouviam, graças a Deus

                                   Manuel Vaz

Orações

Abriste as duas mãos, traças-te um arco iris
Falaste-me pelo Século que passou
Quando as pessoas viviam maviosas
Crentes e penitentes com as suas orações

Hoje já és velhinha
Mas trazes recordações
De como juntavas as mãos
Em atos e contrições

                               Manuel Vaz

Galeras

Ondas raras deslumbrantes bentas
Que pelo rendilhado da praia
Veem entregar seus despojos
Aqueles que não pertencem ao mar

Tesouros de naves, perdidas galeras
Alçapões de oiros e de marfins
Dormem no mar fundo pedrarias
Guardadas pelas sereias que as disputam

                                                       Manuel Vaz

Agradecimento

Quero aqui deixar algumas palmas
Em relação ao meu amigo Ventura
Esse que não dá a cara mas trabalha
Por trás do cortinado, pois todo o trabalho
Informatizado é feito por ele e sem ele
Este Blog não era possível


                                                        Manuel Vaz

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mais poemas de Manuel Vaz

Rei Horácio

A coroa do Rei Horácio
Que os Pais lhe transmitiram
Como cornos de alabastro
Cetins novos, novo dia

Tudo parecia bom no reino da agonia
Alguns bobos que corriam ….
O povo estava pr’a baixo
Como a noite para o dia


                                                  Manuel Vaz

Sra. Televisão

A Sra. Televisão entrou em minha casa
Quase impondo a sua vontade
De eu ficar a assistir
Valha-nos Deus, debates e politiquices

Novelas é só escolher, são tantas
Tudo se vende tudo se compra
Mesmo os jornalistas da fábula
Que nos enfadam o dia

                                                        Manuel Vaz

Frutos

Morangos, ameixas, uvas, groselhas
A fruta tão ditosa que de Deus porvir
Doces sedas claras rosas novas prosas
Alegrias, frutos secos frutos novos

Cheiro a pão cozido num lume lento
Companhia fazem a frutos tão airosos
Haja o pão e frutos como, pão de rosas
Pois de rosas nos encontraremos um dia

                                                       Manuel Vaz

Mais flores

Iris, camélias, rosas e outras flores
Que percorrem os céus os infinitos
Sejamos gratos a todas essas flores
Que nos enfeitam o dia

Deus criou estas sedas naturais
Para nos iluminarem a vida
Haja flores haja amores
Nos tocam comovidas

                                          Manuel Vaz

No poente

O céu, mas o céu ardente
O Sol a despedir-se no poente
Espaço mágico transversal e crente
O Sol a deitar-se sem um lamento

Extasiada noite como num repente
Haja estrelas nos céus decentes
A magia dolorosa dos conventos
Cinzas de rosas num novo templo

                                                Manuel Vaz

Toilette

Na toilette tinha espelhos mágicos
Pós de arroz de outros orientes raros
Como os batons num dia de poesia
Ouviam-te murmurar baixinho avé-maria

Vestias teus vestidos magoados
Como as flores que te vestiam
Brincos d’oiro e pedrarias
Ar cálido e melancolias

                                                              Manuel Vaz

Flores

Que a tulipa prometida de raiz
Teus cabelos longos entrança-se
Em teu colo rosas surgindo
E outras flores no desenlace

Que teus cabelos ornados com mil flores
Lírios outras flores outros licores
De onde bebo as minhas dores
Meu ser doente rasgue-me a vida

                                                                             Manuel Vaz 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Contemporâneos

Mentir

Maldito fado de mentir
Quando a verdade assim pressente
Bendita seja do céu à terra
Que nosso corpo nu absorvia

Pois a verdade e a vida eterna
Já Jesus a prometia
Seja aterra para o Deus eterno
Pr’a nós a alma prometida


                                                        Manuel Vaz

Pétalas

Florindo em cores tão diferentes
O aniz da corola da flor, ia
Entre claustros e conventos
Das flores que rejuvenesciam

Outras cores matizadas prometiam
Novas pétalas num jardim novo
Que à tarde adormeciam
Pois só a Deus deviam

                                                   Manuel Vaz

Nostalgia

Percorro o teu corpo em rebeldia
Em troca o amor me cega num repente
E ati te enfeita minha querida
Em ti o pó de arroz e o baton

Assim junto à lareira certo dia
Abrasava o peito minha amiga
Que Deus me deu por este dia
O amor e toda a nostalgia

                                               Manuel Vaz

Além

Seja radiosa a serra virgem
Com os seus raios ilumine a turbe
Olhar os Céus com olhar crente
Deixando nas cinzas as pegadas cruas

Que o espetro descubra outro mundo
Surgindo pela atmosfera linda
Seja a vida depois da morte
O nascer do outro dia

                                                        Manuel Vaz

Pássaros

Pássaros diáfanos sorviam lentos
Ao longe da terra a maresia
Aves que se deitavam doentes
Á espera de novos dementes criam

As luzes crentes dos Céus
Serviam-lhes de alimentos
Horas mortas pacientes
Animais raros aos ventos

                                                              Manuel Vaz
Teu corpo nu

Na cidade do encantamento
Em altas árvores respiram
Eram noite nos conventos
Cruéis templos de magia

Magnólias flores raras renasciam
Em mármores fogosos te despiam
Teu corpo nu ardendo iluminando
Que na noite se fazia o dia

                                                          Manuel Vaz

Gratidão

O amor puro delicado
Aquele que ocupa toda a vida
Entre anéis de oiros e brocados
Candelabros de fogo e agonias

De ti tenho o teu afago
Dentro do peito guardado
Caia a cortina do primeiro ato
Meu amor, meu amor como estou grato

                                                           Manuel Vaz

Noite longa

Cobre-me de beijos alma aflita
Trás lampiões de alegria
Vasta seja a noite e breve o dia
Bebendo licores em orgias

Seja o dia a fera feroz em orgias
Á espera que as estrelas brilhem
E teu nome nos céus escrevam nós
Que seja a noite longa e parco o dia

                                                        Manuel Vaz

Bules

Bules de chá dos Orientes
Tapetes persas e outras relíquias
Vasos chineses dos meus dias
Ópios raros meus tormentos

Limões de França tão pequenos
Embriagados se furtando
Seja a Europa e seus lamentos
a terra fria que me cubra um dia

                                                   Manuel Vaz

Descobrimentos

Que as rosas leves te entornes
Em luminosos céus estrelados te entenda
Que o Sol nos tome tempos novos
Que a mocidade deste tempo compreenda

Assim por mares laboriosos
Ufano vela com a cruz de Cristo ao vento
Por mares sempre trabalhosos
Pr’a mais um padrão dos descobrimentos

                                                        Manuel Vaz

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Algumas fotos tiradas por Manuel Vaz


Foto do Castelo dos Mouros SINTRA


Parque das Nações


LAGOS


Manuel Vaz com uma amiga


Mais poemas e reflecões

Asceta

O asceta do monte percorria
Perdendo o mundo da periferia
Crendo em Deus seu corpo padecia

Quando mais subia, mais alvo via
Ao longe os fumos da cidade
E a luz surgia caída
O asceta assim se ia


                                                                                      Manuel Vaz

Jardins

Jardins lilases aniladas nascentes
Árvores eloquentes, sem raízes
Pois árvores nómadas de terras ancestrais
Outras medas de gentes anormais

Desertificado, ao andar o caminhar
Na fonte onde, nascem os poemas
Tal como águas puras na nascente
E um dócil sol do poente


                                                                         Manuel Vaz

Tirol

No cimo de montanhas, tu és crente
Nas vozes de um fado, acabado em fogo
O coração ao alto revigora
O vento amigo, ferindo em outra voz

O Tirol seu útero aberto
Suas joias, de flores doentes
Que bebem, os alpes fervorosos
Em brigas de bêbados arlequins

                                                                   Manuel Vaz

Santo António

Ofereci-te um manjerico
Nuns Santo Antónios, de alfama antiga
Dizia no enfeite, na bandeirinha
Quando formos grandes vais casar comigo

A sardinha aquecia a noite iluminada
Mais a entremeada, dois copos de vinho
Falavas-me da luz e da cidade
Que o teu coração ficou comigo

                                                               Manuel Vaz


Natal
Alma dos meus presentes de Natal
Presépios que eu vou enfeitar
Do menino em palhinhas deitado
Os Reis magos com a fiel estrela

Mais um Natal mais uma alma minha
A árvore de cores refletia
Seja jesus o recordado e a família
De presentes meu coração aquecia

                                                             Manuel Vaz

Gil Eanes

Mestre Gil escudeiro do infante
Se ofereceu, pr’a combater o gigante
Que diziam está no Bojador
Pois ninguém se aventurava, tais os contos de terror

Mestre Gil pelo cabo passou
Não viu monstros nem gigantes
Uma nova rota desenhou
Aquele que chamou o cabo da Boa Esperança

                                                                                     Manuel Vaz

Espaço

Sonhei que trazias um esquadro
Um compasso e uma régua
Tudo para medires o espaço
Que te separava dos céus

Ao poente da latitude é tanta
Pois nem com um telescópio
Podias medir o quanto
Esses que moram nos céus

                                                                Manuel Vaz


Palácio da Ilusão

Sonhei que era um cavaleiro
No palácio da ilusão
Nada parecia o que era
Era grande a confusão

Bebia vinho era água
Olhava o espelho outro via
Era o Rei um mandrião
E grande a recreação
  
                                                                              Manuel Vaz

Venenos

Venenos raros em taças de oiro bebias
Vinho era o que te sabia
Mas a ave negra prometia
Teres só sofrimentos

Primeiro caíram-te os dentes
Entre cada taça que bebias
Depois todo o corpo um tormento
As próprias rosas padeciam

                                                       Manuel Vaz 

Pombos

Dar milho aos pombos
No final da tarde que se deita
Pombos amados por quem ama
Rasgo o meu olhar algo distante

Rasgando a água que os pombos bebem
A tarde extasiada assim desmaia
Ao voar dos pombos na praça antiga
Voando se despedem

                                           Manuel Vaz

Flores

Se acabarem as flores
As nobres que nos enfeitam
Junto aos astros peregrinos
Lancetadas em mares de esperança

Tal será a dor da flor
Que pelos céus a comovida…..
Seja assim um nascer novo
Nova flor em novo dia

                                      Manuel Vaz

Caleidoscópio

Caleidoscópios, iminentes e diferentes
A luz das cores, breves momentos
O universo raro e demente
Pois só os loucos, conhecem pavimentos

Imagens raras de borboletas cadentes
Formas várias de cores diferentes
Mangentas, aniles e tons urgentes
Que o caleidoscópio traduz em movimentos

                                           Manuel Vaz

Vénus de Milo

Em lugarejos outrora escondidos
Fogos fátuos e amigos tão perdidos
Lanças de amor no coração em brasa
Uma força do além lancetando-os

Dizias que eras tu mas era a estátua
Tal Vénus de Milo, querias ser
Mas de outros lugares estontecias
O amor ao mármore que te perdia

                                           Manuel Vaz

Pensamentos

Mortos mutilados e tão jovens
Mais puros que os lírios em orvalho
Capelas capitais das inocências
Os fuzilados de cabelo ausentes

Partiam, já faz tempos, lentes
Como as distâncias dos momentos
Isolados em repentes
A luz dos seus pensamentos

                              Manuel Vaz