sábado, 19 de outubro de 2013

Do teu ego

Diz-me desse amor
Esse que vive guardado
No meio de pétalas gigantes
Nas selvas do pensamento

Paixões e sentimentos
Vivem desflorados
Virgens que afloras
Em flores de pensamento

Em tudo na selva gigante
Cai e superficialmente
Emergem à superfície
As rosas do teu ego


                                                                 Manuel Vaz

O varão

De um filho mal nascido
Para o reinado preferido
Engordava a realeza
O novo varão nascido

Tudo tinha sangue azul
Até que adoeceu o varão dito
Precisava duma transfusão
Mas sangue azul é desdito


                                                            Manuel Vaz 

Um país ?

Numa tiara bem distante
Lá para depois do mar
De fértil chão e abundância
Da terra prometia dar

Depois de muitas lutas
Fundaram uma nação
Do holocausto nativo
Ao atropelo da razão
E assim zarpava outro navio
Onde viviam os sem pão


                                                Manuel Vaz

Asa Delta

O homem que voava
Sob o céu azul crente
Esse, que devagar cantava
A grandeza do momento

O homem olhando para baixo
Tudo era encantamento
Pois belo, era tudo o que via
E ia..   ia …..  ia …  ao sabor do vento


                                        Manuel Vaz

Virgens

………………………
Duas virgens tresloucadas
Puxando os cabelos uma à outra
Pelo homem que ia a passar
Este, quando as viu loucas
Pôs-se logo a caminhar
Para aturar duas loucas
Vou-me pôr a andar


                                     Manuel Vaz

Camelot

No reino de Camelot
Era seu Rei Artur
O homem da Excalibur
Da nova espada forjada

Tudo era paradisíaco
Mas o destino não quis
O amado por Artur
Com a sua esposa fugiu


                                  Manuel Vaz

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Postais enviados por amigos de Manuel Vaz



Alemanha




Coliseu de Roma




New York




Alemanha


Touro Escocês


Manuel Vaz no Nosso Café em Agualva Cacém


Catedral

Na nave central
Da nossa Catedral
O vazio e o silêncio
Adormeciam pacientes

Acendi várias velas
…..  para ver despertar
Os santos e outros tantos
Que luziam às janelas


                                       Manuel Vaz

Cristais

Os cristais eram imensos
Como figuras voláteis
Clareavam pensamentos
Outros acorriam atentos

Sua origem….  Depois do Céu
Onde tudo é luz e fulgor
Aí mora o meu amor


                                    Manuel Vaz

Estrelas

Borboletas fugindo em clarões
De Sol e de outras esferas
Mil fotões tão diversos
Que caíram das estrelas

Estrelas essas que passaram
Toda a noite a conversar
Haja conversa de estrelas
Que nos amam sem perguntar


                                            Manuel Vaz

Alcatrão

O Sol fendeu a muralha
De tijolo e alcatrão
Para passar um aldeão
Nos caminhos da união

O alcatrão escorria grosso
Levando em seu caminhar
A tua imagem e o teu rosto
Esse feito para me amar



                                    Manuel Vaz

As feras

O povo partia pedras
Logo ao limiar do dia
Pois para o patrão e outras feras
Nem o pequeno cão porfia

Pareciam uns condenados
Pobres assalariados
Que mais não faziam
Do que partir as pedras ao dia


                              Manuel Vaz

A uma judia

Pequena moça feliz
Sobreviveu ao holocausto
Três anos nos campos da morte
Decídio a sua sorte

Toda a família perdeu
Toda ela a Deus rendeu
Tudo ficou decidido
Em três anos coma morte!


                                       Manuel Vaz

A feira

Hoje é dia de feira
E o povo todo acorria
Para ver a mulher polvo
O suor esse escorria

O carrocel de mil cores
Era dos mais concorridos
A criançada em geral
Enchia-se de alegria

Os aviões subiam
Para entreter a família

Nesse bendito dia …….

                                                     Manuel Vaz

Arvores

Arvores tão altas tão belas
Que a copa toca os céus
É o nosso respirar
E todo o bem é com elas

As árvores do meu jardim
Invadem todo o meu sótão
E vão prometendo que sim

Que me vão abrir a porta

                                                       Manuel Vaz

Pedras

A minha casa na pedreira
Acordava com o trovar
Das pedras saltando lestas
De um para outro lugar

De facto o Sol da eira
Nos fazia transpirar
Mas se é por estas pedras

Podemos pôr-nos a andar

                                                               Manuel Vaz

Condor

Planando sobre as montanhas
O pequeno Condor subia
Crescendo pelos céus
O seu voar estendia

No esplendor do Sol nascente
A querida ave voava
No seu sentido ascendente

No seu voar refulgente

                                                     Manuel Vaz

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Meu destino

Num momento
Lês-te a minha mão
E traças-te meu destino
Ainda terei de comer pão
E mais uns copos de vinho

O futuro é uma incógnita
Esteja Sol ou esteja chuva
Pois te afirmo meu irmão
Que o meu destino eu não sei
Para não me perder no caminho

A minha sina eu conheço
É parecida com o fado
Uns dias na mó de baixo

Outros na mó de cima


                                                                          Manuel Vaz

Índios e piratas

Ricos e pobres
Tudo se come
Numa mesa de alcatrão
Tudo é tudo
Até se pode cuspir para o chão

Por vezes a confusão
Entre índios e piratas
Um perdeu a sua mão
Numa máquina de limão
O outro ficou a ver
Não sei porque razão
Os índios querem a pátria
E os piratas um colchão
Eu quero uma constelação

E que seja a de Leão


                                                                Manuel Vaz

Serpentina

Vi-te ao longe
E não adormeceste
Estavas viva e ondulante
Como uma serpentina
Num lunático e breve
Hospital qualquer
Na estupidez dos acasos
Agora vi-te de novo
Ó povo
Haja quem morra
E venha ao mundo depois
Depois da eternidade
Deitada

Sobre o monturo

                                                                 Manuel Vaz

Existias

Eras transparente
Mas eu via-te
Não só sentia-te
Como o teu odor
Não me era estranho
E tu passavas
Como uma assombração
Mas eu não tinha
Nenhum castelo
Para percorreres
Bastavam dois quartos
Para ali existires
Transparente mas real
Mais real do que
Os abajures do meu quarto
Ou os retratos

Da minha infância


                                                              Manuel Vaz

As rochas

O sino cansado
Continuava o seu calvário
O povo esse….
Tinha abandonado a igreja
Para onde foram? Não sabe
Nem o padre
Que cozia tamanha bebedeira
Ao que contaram, procuravam
Deus, nas pedras, nos riachos
E as rochas com grande espanto
Julgavam que Deus

Eram elas, pim pon pum



                                                                    Manuel Vaz

Eleições

Bandeiras, bandeirotes e cantigas
Agora toda agente canta e dança
Ontem gritavam abaixo a sorte
E não é que aspiram
Viver melhor que os ratinhos brancos
Viva a sorte, viva a morte
Gritavam, tens que ser forte
Sujeito a perder o Norte
Mandei todos para casa

Pois hoje já não há votos


                                                Manuel Vaz

Á volta da fogueira

Á volta da fogueira
Cantamos
De noite até ser dia
Falamos, conversamos
Abraçamo-nos de alegria
Tinha sido uma tal noite
Que eu próprio a esquecia

Vénus até ser dia
Nunca vi uma tal noite

Que jamais será esquecida


                                                                                  Manuel Vaz

Cantores

É o céu e as suas flores
Essas que nos são ocultas
Veem trazendo cantores
Deste e até de outros dias

Cantorias bem fraternas
De encher o peito alegre
Pois toda a música nos faz bem
Mesmo a da telefonia

Seja hoje e amanhã

Ou até que seja dia


                                                                   Manuel Vaz

Loucuras

O contexto estava certo
A águas corria roucas
Os cães latiam calados
Ao passarem duas loucas
Fugidas do hospital

Era tão habitual
Tomar banho nu pelo mar
Que as sereias tão loucas
Tiravam sortes entre elas

Para me poderem tomar


                                                                Manuel Vaz

Popular

Dá nozes a quem
Não tem dentes
Diz o povo na ironia
Prefiro o ditado antigo
Deus escreve direito sobre linhas tortas

Pois não se esquece nem debota

                                                              Manuel Vaz

O dizimo

Mais espórtulas
Para o templo
Vá paga
O teu dizimo

Se te acontecer alguma coisa
Não te queixes
Não é que Deus te tenha abandonado
E são tantos os dízimos
E as espórtulas também

Talvez esse Deus te diga
Não é só pelas espórtulas
Ou para os teus dízimos

Que vais ganhar o Céu

                                                              Manuel Vaz

Deserdado

Incessante quase me afoguei
Nas trémulas aguas abandonadas
Sem rumo sem bussola
Pois tão deserdado nunca!

Embora me esquecesse
Do meu pobre palpitando nome
Seria Alexandre? O Grande Macedónio?
E ai eu tentei beber na taça distraída
O teu sangue vaporoso
Para ouvir a palavra

Deserdado

                                                             Manuel Vaz

Na biblioteca

Sentada na biblioteca
Sempre atenta à turbe liceal
Eu fingia não olhar
Nem perder no que ganhei
Apenas a tua presença
Que valia mais que tudo
Basta olhar-te

Para ser feliz

                                                               Manuel Vaz

Brinquedos

Aqui perguntando ali
Os aviões de plástico?
Memórias da minha infância
Os brinquedos eram tantos
Que chegavam para ti
Há…. O algodão doce
Tudo agora não é velho
Nem estreita a rebeldia
É um homem talvez povo
Que te contava uma história
Pouco mais…..

Do que ao meio dia

                                                                  Manuel Vaz

Pão fresco

A alvorada em seu estado emocional
Cantou com o infeliz galo da aldeia
Todos acordaram dizendo é dia
É o dia em que Pedro vem á aldeia
Trazendo um pão e um ovo
Formaram em fila de espera
Pelo chouriço do Doutor

Pois há pão fresco na aldeia

E hoje é dia de calor

                                                        Manuel Vaz

Os homens das bandeiras

O cheiro a roupa estendida
Num estendal à beira-mar
Velhos e novos estandartes
Parcas roupas a transpirar

São as bandeiras que secam
Para voltarem a seu lugar
São as bandeiras que matam
A quem as reclamar

São os homens das bandeiras
Cada pais seu altar
Ai de quem lhes toque
Que a guerra vem troar

São os homens das bandeiras

Em tudo o que podem ganhar

                                                         Manuel Vaz

Atenas

Estava eu no mar
A ler alguns poemas
Quando uma sereia gritou
Vem comigo para Atenas

O mar Mediterrâneo
Esse Oceano dos Gregos
Não digo que me não tentou
Ir de frosques para Atenas

Disse-lhe! Ó minha amiga
O teu canto tão simbólico
Eu terei que recusar

Pois eu busco por Micenas

                                                           Manuel Vaz

Santo Oficio

As horas passam ……
Relíquias esquecidas
Metamorfoses da prata
E mais quem lhes valha
Por tantas velas gastas

Nas caves do santo oficio

                                                  Manuel Vaz

Raios de chuva

Pequenos raios de chuva
De romã e de laranjas
De uma escolha de sabores
Chuva de todas as cores

Frutos novos que se apressam
A conquistar as nuvens
Nova forma de sabores
Que nascem em raios de chuva
Morango banana kiwi
Caindo em aluviões
Que essa
A fruta boa
Não faltará

Em dois dias


                                                  Manuel Vaz

Alpinista

Alpes, Apeninos, Himalaias
Como eu gostaria, …..
Ter a arte e a rebeldia
Aspirando a altitude
E os caminhos virgens
Montanhas rochosas ou os Andes
Como eu gostaria

De os escalar um dia


                                          Manuel Vaz

D. Sebastião

Tantos gritos, tantos choros
Por D. Sebastião…
O próprio…. Quer venha ou não
Entrou em demolição
Fundou uma praia de névoa
Mas não voltou….
Diziam, virá um dia
Mas até hoje

Não chegou

                         Manuel Vaz