sábado, 19 de abril de 2014

Mais de Manuel Vaz

CANÇÃO

O pó de giz traça-te a pegada
A que adormece em pleno Verão
Quando o vento voltar
Ouvirás nova canção

Assim pegada por pegada
Segues tua direção
Pois quando o calor chegar
Ouvirás outra canção

                                                Manuel Vaz


O MUNDO

Em linha reta tu diverges
Tens o mercado em tua mão
Os saldos que sobram no Inverno
Caem em tua direção

Mas sei que mais almejas
Do que magra refeição
Na verdade, o que tu queres
Queres ter o mundo na mão

                                                  Manuel Vaz

MUNDOS

Vasto o horizonte singular
Estrada de entre mundos
Na tradição popular
Onde vive o paraíso

O doce que nos espera
Neste lado das esferas
Os Mundos já prometidos
Por Jesus nosso Senhor

                                                   Manuel Vaz

PRIMAVERA

O tempo morno reflete
O vai, vai das andorinhas
Volteando os beirais, os ninhos
Já chegou a Primavera

Os tempos novos retornam
Para o bom sol beijar
As flores que florescem
Um novo ressuscitar

                                               Manuel Vaz

NATUREZA

O nevoeiro breve se elevou
E fiquei a ver a verde serra
Aí onde vivem os gnomos e gigantes
Os evocados espíritos

A natureza atmosférica ao respirar
Enchendo meus pulmões de oxigénio
Ai onde os espíritos da natureza
A elevam de perfumes ancestrais


                                                     Manuel Vaz

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Fotos 18-04-2014 Agualva - Manuel Vaz com José Ventura e Álvaro de Mendonça





Mais poemas de Manuel Vaz

MAR

A força do mar me sustentava
Como comesse da boa e do pão
O rendilhado da maré subindo
Como beijasse o areal

O mar engole a broa
Na esperança que devolvas
Os corpos de meus irmãos
Tragados em cachão

                                       Manuel Vaz

TUAS MÃOS

Tuas mãos pequeninas, turqueza pura
Mãos que eu beijei, tão amadas
Eu p’ra sempre recordarei
Assim mais que a natureza o permita

Mãos de lágrimas, mãos de chuva
Que eu desejo todo o bem
Arco-Iris de outras alturas
Que me afagam o coração tão bem


PÓ LUNAR

Pensos, Band-Aid clorofórmio e gazes
Tudo engolido por uma televisão
Que nem sequer têm cor
Pois incolores são as vontades

Meu amigo pode-me dizer?...
Sei o que procura!!
Mas o hospital foi bombardeado, morto
Do que resta é a paisagem da lua

                                               Manuel Vaz

DEPOIS

Nos mundos que não vês mas presentes
Que se elevam depois da laje tumular
Longe das larvas e estertores terrenos
Ai onde mora a felicidade

Depois de arrostares po esta vida
Outra bem maior te garantia
Cobertura de brancas flores idílico paraíso
Onde um dia descansarás em paz

                                                             Manuel Vaz

MAR DE ROSAS

Vivemos num mar de rosas
Ornado por um espinheiro
São duras as duras provas
Que nos prepara o destino

Lutando contra a maré
Procuramos pela razão
Mas a razão desconhece
A sua própria razão

                                                                 Manuel Vaz

LÁGRIMAS

Minhas lágrimas de suor
Abrem toda a dimensão
E de novo todo o calor
Abrasa-me o coração

Luz que vem luz que passa
Cai-me toda a solidão
Fico assim iluminado
Longe de toda a tentação


                         Manuel Vaz