quinta-feira, 13 de março de 2014

Mais uns poemas de Manuel Vaz

Planetas

Eu até oferecia o céu
Outras esferas, outras paragens
Onde poderíamos sempre
Partir em novas viagens

Aqui onde o corpo, despojo vão
Do alto planetas chamam
Maviosas paisagens, alvas moradas
Nós os dois de mãos dadas

                                          Manuel Vaz

Jardim

Jardim limpo, de alabastros decorados
Cheias de orvalhos nas flores perenes
Cheio de brancas cruzes pequeninas
Assim é o cemitério

Lágrimas perdem-se na Lage fria
Como as pequenas andorinhas
Voando à nossa porta
Não estou cá, parti para os céus

                               Manuel Vaz


Outra vida

A tua pele perfumada
Teus cinzentos olhos iris
Que a lua se torna invejosa
A teu olhar de cinzas raras

Flores caem inebriadas, vem alma liberta
A luz á já prometida
Pois a alva alma vai-se
Vai viver, a outra vida

                                    Manuel Vaz

Colmeias

A minha alma ao ver-te é doce
Como nas tardes, nas colmeias
Minha alma volitando
Voava com as abelhas

O teu voar bem mais alto
Mais alto que as colmeias
Eu a desejar-te tanto
Que chegarei com as abelhas

                              Manuel Vaz


Espaço

Flores dispersas pelos céus
São os sentimentos puros
Que esvoaçam pelo espaço
Em busca de suas irmãs, seus laços


São de todas as mais belas
Que do coração se escapam
P’ra cantarem pelos céus
Outros mundos, outras moradas

                                                           Manuel Vaz



Narcisismo

Ver teu rosto ao matinar
Tal Narciso inebriado
Pois eras tu refletida
Em minha alma cansada

Cansado de esperar tanto
E estar tão apaixonado
Tomara ver-te nas águas
De tão longo amor e saudade


                                                                 Manuel Vaz