SUBURBANOS
Na cidade morria afogado
Entre sua conjectura de cimento
Ouvia gritos de pedras levedadas
Ouvia as lágrimas do vento
Em suas luvas de tormento
Contei cinco luas, cinco vezes
Enlouquecido em espasmos frágeis
E talcos de desalento
Quebraste-me meu corpo leve
Que em mil estilhaços se espalhou
Nasceste para seres breve
O resto nas veias brotou
Manuel Vaz
FLORES
Fatídico dia em que pisei
As flores de alabastro
Entre minhas cruzes, inflamou
Minha crua sina, nos astros
Palestra de sons atrozes
Desenhados numa ardósia
Assim é que as nobres flores
São assassinadas
E dormem
Flores inventadas por alguém
Em lugares mortos sem distâncias
Pós de luas e cinzas tristes
Caem a teus pés afagados, nus
Flores subjugadas, violadas
Morrendo ao som dos poentes
Dores atrozes
Que curam os doentes
Manuel Vaz
A NOITE
A noite curva-se e revela-se
Tal asa quebrada
Que espera
A noite está extasiada, ébria
Tateia as estrelas já furtadas
Astros quentes
Sinais de guerras
A que minha destra é propensa
Noite gelada e triste
Tu que esvaziaste as esferas
Tornaste a outro universo
Que repito
Seu olhar certo
Noite que me espera
E a teus passos
Lestos na escuridão
Que desperta
Manuel Vaz
ESTÁTUA
Estátua negra
Cinzel azul e lesto
Para onde olhas, olhar incerto
Estátua negra
O que dirias
Estátua de teus dóceis dedos
Meteoro talhado
Caíste de um espaço gasto
Como gastos teus desvelos
Estátua fria e inerte
Que a perfeição inveja
Talvez fosses a primeira
A exprimir sua feição
Manuel Vaz
O MAR
O mar lastro no caminho
Trazendo algas lilases
Ovários
Peixes breves
O mar rendendo-se na areia
De afogada espuma que desenha
Um fiel retrato
Que desespera
O mar reto em seu silêncio
Com alguns toques de aurora breve
As ondas dobram-se
O mistério
O mar trazendo peixes de harmonia
Desenhados como o resto das estrelas
São visões noturnas
Como o resto que se dispersa
Manuel Vaz
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