quinta-feira, 22 de maio de 2014

MANOLO POETRY II

CORES

Da terra árida surgindo
A flor do pensamento
Por tantos, tantos louvores
O milagre nasce e cresce

Trazendo felizes cores
De âmbar da Andaluzia
Ou míscaros de Gibraltar
Propondo vasto o olhar

                                                                                         Manuel Vaz

LATITUDES

A tua latitude sóbria
Vai subindo para norte
Um farol, uma candeia
Tua atitude nobre

Por cima deste papel
A chama arde e sobe
Iluminando quem vem
Quem ficou, e quem virá

                                                                               Manuel Vaz

PASSARINHO

O sonho corria nas esferas
Que devagar se levantavam
Pois algo retumbando sério
Lá bem do alto chamava

Flor cortada em seu ninho
Deixa lágrimas de limão
Até que um feliz passarinho
Se apeie e dê a mão

                                                                                  Manuel Vaz


ORAÇÃO

Navega a tua caravela
Liberta todas as velas
E deixa-te ir devagar
Ao sabor do próprio mar

A manhã vem clareando
Vai-te enchendo de matizes
Percorre esse mar brando
E rezando vai, uma oração

                                                                                   Manuel Vaz


TEMPO

Estamos na transversal do tempo
À espera da tua mão
Tal bussola do trópico quente
Para aprender-mos a lição

Esperamos na viagem
Que o espaço nos torne errantes
Como tribo de ciganos
À procura de um lugar

                                                                            Manuel Vaz


PÃO

Trigo em sacas separado
Por mistério ou exclusão
Para onde foi trigo amigo
Alimento da nação

Ser alimentado a pão
Não descarta a razão
De tanta fome n’aldeia
Por causa de um só pão

                                                                                Manuel Vaz


CRAVOS BRANCOS

Focos de luz, perfumes do Equador
Queda de cravos brancas flores
Países povos, flor crescente
Lá p’ra ai, ilha dos amores

Vasta procura de uma pequena flor
Como andorinhas p’los beirais
Realçando no ar pleno de cor
Plena vida em festivais e licores

                                                                                      Manuel Vaz


FARAÓ

Em Hieróglifos tu pensas
Ter sido um farto Faraó
Daqueles que medem avenças
Com o pé deserto no pó

Fundaste a tua dinastia
E as pirâmides por oficio
Já tens sucessores diziam
Que eras o Faraó dos pobres

                                                                     Manuel Vaz

POLISTIK

O olhar se envaidece
P’ras camaras coloridas
O povo esse estremeçe
Com o teu ceifar de vidas

Tu do alto pedestal
Nem vês passar avida
Julgas-te eterno imortal
Numa bandeja servida


                                                                                        Manuel Vaz

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