CORES
Da
terra árida surgindo
A
flor do pensamento
Por
tantos, tantos louvores
O
milagre nasce e cresce
Trazendo
felizes cores
De
âmbar da Andaluzia
Ou
míscaros de Gibraltar
Propondo
vasto o olhar
Manuel Vaz
LATITUDES
A
tua latitude sóbria
Vai
subindo para norte
Um
farol, uma candeia
Tua
atitude nobre
Por
cima deste papel
A
chama arde e sobe
Iluminando
quem vem
Quem
ficou, e quem virá
Manuel Vaz
PASSARINHO
O
sonho corria nas esferas
Que
devagar se levantavam
Pois
algo retumbando sério
Lá
bem do alto chamava
Flor
cortada em seu ninho
Deixa
lágrimas de limão
Até
que um feliz passarinho
Se
apeie e dê a mão
Manuel Vaz
ORAÇÃO
Navega
a tua caravela
Liberta
todas as velas
E
deixa-te ir devagar
Ao
sabor do próprio mar
A
manhã vem clareando
Vai-te
enchendo de matizes
Percorre
esse mar brando
E
rezando vai, uma oração
Manuel Vaz
TEMPO
Estamos
na transversal do tempo
À
espera da tua mão
Tal
bussola do trópico quente
Para
aprender-mos a lição
Esperamos
na viagem
Que
o espaço nos torne errantes
Como
tribo de ciganos
À
procura de um lugar
Manuel Vaz
PÃO
Trigo
em sacas separado
Por
mistério ou exclusão
Para
onde foi trigo amigo
Alimento
da nação
Ser
alimentado a pão
Não
descarta a razão
De
tanta fome n’aldeia
Por
causa de um só pão
Manuel Vaz
CRAVOS
BRANCOS
Focos
de luz, perfumes do Equador
Queda
de cravos brancas flores
Países
povos, flor crescente
Lá
p’ra ai, ilha dos amores
Vasta
procura de uma pequena flor
Como
andorinhas p’los beirais
Realçando
no ar pleno de cor
Plena
vida em festivais e licores
Manuel Vaz
FARAÓ
Em
Hieróglifos tu pensas
Ter
sido um farto Faraó
Daqueles
que medem avenças
Com
o pé deserto no pó
Fundaste
a tua dinastia
E
as pirâmides por oficio
Já
tens sucessores diziam
Que
eras o Faraó dos pobres
Manuel Vaz
POLISTIK
O
olhar se envaidece
P’ras
camaras coloridas
O
povo esse estremeçe
Com
o teu ceifar de vidas
Tu
do alto pedestal
Nem
vês passar avida
Julgas-te
eterno imortal
Numa
bandeja servida
Manuel Vaz
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