O
SOL
O
Sol abriu-se em conjuntura
Como
uma estrela diferente
Que
a nosso olhar candeia, vela
Corpo
enterrado que se aventura
Olhar
distante de uma gazela
De
cor ardente num afluente
Para
um rio novo de Sol na frente
O
espasmo selvícola de um momento
Manuel Vaz
ANA
TERESA
Basta,
clama a natureza
E
forte é o seu clamor
Cheia
de flores de tristeza
Árvores
pintadas de olvido
Perdida
a água que era tão pura
Montanhas
vulcânicas derramando
Pelo
ciclone que insinua
Ir
para mais forte retornar
Manuel Vaz
GUERRA
A
chuva de prata caia na areia roxa
Terrível,
imparável a agonia
Pois
ali tinham perecido os soldados
Mais
todo o povo d’aldeia esquecida
O
silêncio petrificou o solo
E
nem um pequeno pássaro se ouvia
Tudo
ali estava estagnado morto
Como
da noite não nasce-se o dia
Manuel Vaz
POLITIK
II
Porco
javardo descia á cidade
Javardão
todos o chamavam
Volta
para a javardice e não voltes
Nem
que se peça por piedade
O
porco javardo todo pingado
O
povo passava, e ele fazia manguitos
Pior
que esterco enlatado
A
cada passo pr’a terra cuspia
Manuel Vaz
CAMPONESA
O
trigo e o trigal cheio
De
uma imensa alegria
Assim
se debruça a ceifeira
Trazendo
o nosso pão amigo
Tudo
é são e puro na cisterna
Aberta
ao meu coração contigo
Lesto
meu amor terno, doce ……
Minha
querida de coração comigo
Manuel Vaz
CORPOS
O
céu tingido pelos astros
Roubando
a cor à s estrelas
Arpões
feitos de aço
Corpos
desfeitos, outros laços
Névoa
e gritos no asfalto
Pós lunares a saltear
Acompanhas com o olhar
É
tanta a fogosidade
Manuel Vaz
LISBOA
Tejo
é rio que corre em tantas gentes
Nas
veias de alfama e de varinas
Turistas
procuram vela ao vento
Outras
naus que do tejo despediam
Mouraria
onde estala o fado
Bairro
Alto a sardinha
Esta
é Lisboa seu céu azul, aberto
Que
abraça o corpo da poesia
Manuel Vaz
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