quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mais poemas de Manuel Vaz

Rei Horácio

A coroa do Rei Horácio
Que os Pais lhe transmitiram
Como cornos de alabastro
Cetins novos, novo dia

Tudo parecia bom no reino da agonia
Alguns bobos que corriam ….
O povo estava pr’a baixo
Como a noite para o dia


                                                  Manuel Vaz

Sra. Televisão

A Sra. Televisão entrou em minha casa
Quase impondo a sua vontade
De eu ficar a assistir
Valha-nos Deus, debates e politiquices

Novelas é só escolher, são tantas
Tudo se vende tudo se compra
Mesmo os jornalistas da fábula
Que nos enfadam o dia

                                                        Manuel Vaz

Frutos

Morangos, ameixas, uvas, groselhas
A fruta tão ditosa que de Deus porvir
Doces sedas claras rosas novas prosas
Alegrias, frutos secos frutos novos

Cheiro a pão cozido num lume lento
Companhia fazem a frutos tão airosos
Haja o pão e frutos como, pão de rosas
Pois de rosas nos encontraremos um dia

                                                       Manuel Vaz

Mais flores

Iris, camélias, rosas e outras flores
Que percorrem os céus os infinitos
Sejamos gratos a todas essas flores
Que nos enfeitam o dia

Deus criou estas sedas naturais
Para nos iluminarem a vida
Haja flores haja amores
Nos tocam comovidas

                                          Manuel Vaz

No poente

O céu, mas o céu ardente
O Sol a despedir-se no poente
Espaço mágico transversal e crente
O Sol a deitar-se sem um lamento

Extasiada noite como num repente
Haja estrelas nos céus decentes
A magia dolorosa dos conventos
Cinzas de rosas num novo templo

                                                Manuel Vaz

Toilette

Na toilette tinha espelhos mágicos
Pós de arroz de outros orientes raros
Como os batons num dia de poesia
Ouviam-te murmurar baixinho avé-maria

Vestias teus vestidos magoados
Como as flores que te vestiam
Brincos d’oiro e pedrarias
Ar cálido e melancolias

                                                              Manuel Vaz

Flores

Que a tulipa prometida de raiz
Teus cabelos longos entrança-se
Em teu colo rosas surgindo
E outras flores no desenlace

Que teus cabelos ornados com mil flores
Lírios outras flores outros licores
De onde bebo as minhas dores
Meu ser doente rasgue-me a vida

                                                                             Manuel Vaz 

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