Rei Horácio
A coroa do Rei Horácio
Que os Pais lhe transmitiram
Como cornos de alabastro
Cetins novos, novo dia
Tudo parecia bom no reino da agonia
Alguns bobos que corriam ….
O povo estava pr’a baixo
Como a noite para o dia
Manuel Vaz
Sra. Televisão
A Sra. Televisão entrou em minha casa
Quase impondo a sua vontade
De eu ficar a assistir
Valha-nos Deus, debates e
politiquices
Novelas é só escolher, são tantas
Tudo se vende tudo se compra
Mesmo os jornalistas da fábula
Que nos enfadam o dia
Manuel Vaz
Frutos
Morangos, ameixas, uvas, groselhas
A fruta tão ditosa que de Deus porvir
Doces sedas claras rosas novas prosas
Alegrias, frutos secos frutos novos
Cheiro a pão cozido num lume lento
Companhia fazem a frutos tão airosos
Haja o pão e frutos como, pão de
rosas
Pois de rosas nos encontraremos um
dia
Manuel Vaz
Mais flores
Iris, camélias, rosas e outras flores
Que percorrem os céus os infinitos
Sejamos gratos a todas essas flores
Que nos enfeitam o dia
Deus criou estas sedas naturais
Para nos iluminarem a vida
Haja flores haja amores
Nos tocam comovidas
Manuel Vaz
No poente
O céu, mas o céu ardente
O Sol a despedir-se no poente
Espaço mágico transversal e crente
O Sol a deitar-se sem um lamento
Extasiada noite como num repente
Haja estrelas nos céus decentes
A magia dolorosa dos conventos
Cinzas de rosas num novo templo
Manuel Vaz
Toilette
Na toilette tinha espelhos mágicos
Pós de arroz de outros orientes raros
Como os batons num dia de poesia
Ouviam-te murmurar baixinho avé-maria
Vestias teus vestidos magoados
Como as flores que te vestiam
Brincos d’oiro e pedrarias
Ar cálido e melancolias
Manuel Vaz
Flores
Que a tulipa prometida de raiz
Teus cabelos longos entrança-se
Em teu colo rosas surgindo
E outras flores no desenlace
Que teus cabelos ornados com mil
flores
Lírios outras flores outros licores
De onde bebo as minhas dores
Meu ser doente rasgue-me a vida
Manuel Vaz
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