Mentir
Maldito fado de mentir
Quando a verdade assim pressente
Bendita seja do céu à terra
Que nosso corpo nu absorvia
Pois a verdade e a vida eterna
Já Jesus a prometia
Seja aterra para o Deus eterno
Pr’a nós a alma prometida
Manuel Vaz
Pétalas
Florindo em cores tão diferentes
O aniz da corola da flor, ia
Entre claustros e conventos
Das flores que rejuvenesciam
Outras cores matizadas prometiam
Novas pétalas num jardim novo
Que à tarde adormeciam
Pois só a Deus deviam
Manuel Vaz
Nostalgia
Percorro o teu corpo em rebeldia
Em troca o amor me cega num repente
E ati te enfeita minha querida
Em ti o pó de arroz e o baton
Assim junto à lareira certo dia
Abrasava o peito minha amiga
Que Deus me deu por este dia
O amor e toda a nostalgia
Manuel Vaz
Além
Seja radiosa a serra virgem
Com os seus raios ilumine a turbe
Olhar os Céus com olhar crente
Deixando nas cinzas as pegadas cruas
Que o espetro descubra outro mundo
Surgindo pela atmosfera linda
Seja a vida depois da morte
O nascer do outro dia
Manuel Vaz
Pássaros
Pássaros diáfanos sorviam lentos
Ao longe da terra a maresia
Aves que se deitavam doentes
Á espera de novos dementes criam
As luzes crentes dos Céus
Serviam-lhes de alimentos
Horas mortas pacientes
Animais raros aos ventos
Manuel Vaz
Teu corpo nu
Na cidade do encantamento
Em altas árvores respiram
Eram noite nos conventos
Cruéis templos de magia
Magnólias flores raras renasciam
Em mármores fogosos te despiam
Teu corpo nu ardendo iluminando
Que na noite se fazia o dia
Manuel Vaz
Gratidão
O amor puro delicado
Aquele que ocupa toda a vida
Entre anéis de oiros e brocados
Candelabros de fogo e agonias
De ti tenho o teu afago
Dentro do peito guardado
Caia a cortina do primeiro ato
Meu amor, meu amor como estou grato
Manuel Vaz
Noite longa
Cobre-me de beijos alma aflita
Trás lampiões de alegria
Vasta seja a noite e breve o dia
Bebendo licores em orgias
Seja o dia a fera feroz em orgias
Á espera que as estrelas brilhem
E teu nome nos céus escrevam nós
Que seja a noite longa e parco o dia
Manuel Vaz
Bules
Bules de chá dos Orientes
Tapetes persas e outras relíquias
Vasos chineses dos meus dias
Ópios raros meus tormentos
Limões de França tão pequenos
Embriagados se furtando
Seja a Europa e seus lamentos
a terra fria que me cubra um dia
Manuel Vaz
Descobrimentos
Que as rosas leves te entornes
Em luminosos céus estrelados te
entenda
Que o Sol nos tome tempos novos
Que a mocidade deste tempo compreenda
Assim por mares laboriosos
Ufano vela com a cruz de Cristo ao
vento
Por mares sempre trabalhosos
Pr’a mais um padrão dos
descobrimentos
Manuel Vaz
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