quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Contemporâneos

Mentir

Maldito fado de mentir
Quando a verdade assim pressente
Bendita seja do céu à terra
Que nosso corpo nu absorvia

Pois a verdade e a vida eterna
Já Jesus a prometia
Seja aterra para o Deus eterno
Pr’a nós a alma prometida


                                                        Manuel Vaz

Pétalas

Florindo em cores tão diferentes
O aniz da corola da flor, ia
Entre claustros e conventos
Das flores que rejuvenesciam

Outras cores matizadas prometiam
Novas pétalas num jardim novo
Que à tarde adormeciam
Pois só a Deus deviam

                                                   Manuel Vaz

Nostalgia

Percorro o teu corpo em rebeldia
Em troca o amor me cega num repente
E ati te enfeita minha querida
Em ti o pó de arroz e o baton

Assim junto à lareira certo dia
Abrasava o peito minha amiga
Que Deus me deu por este dia
O amor e toda a nostalgia

                                               Manuel Vaz

Além

Seja radiosa a serra virgem
Com os seus raios ilumine a turbe
Olhar os Céus com olhar crente
Deixando nas cinzas as pegadas cruas

Que o espetro descubra outro mundo
Surgindo pela atmosfera linda
Seja a vida depois da morte
O nascer do outro dia

                                                        Manuel Vaz

Pássaros

Pássaros diáfanos sorviam lentos
Ao longe da terra a maresia
Aves que se deitavam doentes
Á espera de novos dementes criam

As luzes crentes dos Céus
Serviam-lhes de alimentos
Horas mortas pacientes
Animais raros aos ventos

                                                              Manuel Vaz
Teu corpo nu

Na cidade do encantamento
Em altas árvores respiram
Eram noite nos conventos
Cruéis templos de magia

Magnólias flores raras renasciam
Em mármores fogosos te despiam
Teu corpo nu ardendo iluminando
Que na noite se fazia o dia

                                                          Manuel Vaz

Gratidão

O amor puro delicado
Aquele que ocupa toda a vida
Entre anéis de oiros e brocados
Candelabros de fogo e agonias

De ti tenho o teu afago
Dentro do peito guardado
Caia a cortina do primeiro ato
Meu amor, meu amor como estou grato

                                                           Manuel Vaz

Noite longa

Cobre-me de beijos alma aflita
Trás lampiões de alegria
Vasta seja a noite e breve o dia
Bebendo licores em orgias

Seja o dia a fera feroz em orgias
Á espera que as estrelas brilhem
E teu nome nos céus escrevam nós
Que seja a noite longa e parco o dia

                                                        Manuel Vaz

Bules

Bules de chá dos Orientes
Tapetes persas e outras relíquias
Vasos chineses dos meus dias
Ópios raros meus tormentos

Limões de França tão pequenos
Embriagados se furtando
Seja a Europa e seus lamentos
a terra fria que me cubra um dia

                                                   Manuel Vaz

Descobrimentos

Que as rosas leves te entornes
Em luminosos céus estrelados te entenda
Que o Sol nos tome tempos novos
Que a mocidade deste tempo compreenda

Assim por mares laboriosos
Ufano vela com a cruz de Cristo ao vento
Por mares sempre trabalhosos
Pr’a mais um padrão dos descobrimentos

                                                        Manuel Vaz

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