quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Contemporâneos de Manuel Vaz

O equador frontal e tanto
Que dois Sóis o iluminam
O braseiro nos ossos vagos
Como a pomba vem morrer



Em quanto a luz permanece
É perene o teu olhar
Cai retumbante e despe
O coração do luar


Rosas rasgadas fenecem
Frutos do coração
Bençoes e flores cremadas
Que sem nome
Se vão




Dorme no cemitério
O desfecho da paixão
Tudo em poeiras queimadas
Como tuas doces mãos      


O mar que guarda outros mares
Veste-se de nupciais vestes
Um pássaro novo meu amor
Traçado à praia
Que se deita


Rosas tiranas e benditas
Como só eu sei onde se guardam
Chores a déspota terra
Pois só eu sei quando virei

O sonho meu amor
Como eu sonhei
Talhando nossos nomes
Numa pedra

Vem voar sobre os casulos
Poda as tuas asas
Dá-lhes pão, dá-lhes milho
Do chão nasce uma cancão


Esperar por ti, luas de espera
Feita de pó a lua espera
Nova moldura de pão
Arrastando rosas novas
Que caem de solidão

O teu olhar plástico
Fabricado por inteiro
Uma tinta do teu tinteiro
Traça teu rosto indistinto

A lua seca mirando
O vulgo que se protesta
Deixa escapar a sua névoa
Que vem, que vai e sustem

Rasgos no coração dolente
Como sente o enforcado
A luz
Na corda pendente
A vida no alçapão

Amores perfeitos
Iluminando, o umbral escuro
Vem o céu e vem o mundo
Tirar-nos de todo o sono 

Tédios são os dias
Em que passo
Sem passar, ou andar adiante
Como ferida asa
Sem o voar distante

O meu cavaleiro caiu do mastro
Desfecho de minhas ilusões
Tal nau toda rasgada
De rosas meus amores

Luzes novas, luzires confiantes
Veem afagar meu peito nu
Como a um brando pão aberto
Que alguém vem mastigar

Anis cruel do meu pranto
Como as ondas que se estendem
Trazendo na maresia

Flores de renda e de canto

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