Planetas
Eu até oferecia o céu
Outras esferas, outras paragens
Onde poderíamos sempre
Partir em novas viagens
Aqui onde o corpo, despojo vão
Do alto planetas chamam
Maviosas paisagens, alvas moradas
Nós os dois de mãos dadas
Manuel Vaz
Jardim
Jardim limpo, de alabastros decorados
Cheias de orvalhos nas flores perenes
Cheio de brancas cruzes pequeninas
Assim é o cemitério
Lágrimas perdem-se na Lage fria
Como as pequenas andorinhas
Voando à nossa porta
Não estou cá, parti para os céus
Manuel Vaz
Outra vida
A tua pele perfumada
Teus cinzentos olhos iris
Que a lua se torna invejosa
A teu olhar de cinzas raras
Flores caem inebriadas, vem alma
liberta
A luz á já prometida
Pois a alva alma vai-se
Vai viver, a outra vida
Manuel Vaz
Colmeias
A minha alma ao ver-te é doce
Como nas tardes, nas colmeias
Minha alma volitando
Voava com as abelhas
O teu voar bem mais alto
Mais alto que as colmeias
Eu a desejar-te tanto
Que chegarei com as abelhas
Manuel Vaz
Espaço
Flores dispersas pelos céus
São os sentimentos puros
Que esvoaçam pelo espaço
Em busca de suas irmãs, seus laços
São de todas as mais belas
Que do coração se escapam
P’ra cantarem pelos céus
Outros mundos, outras moradas
Manuel Vaz
Narcisismo
Ver teu rosto ao matinar
Tal Narciso inebriado
Pois eras tu refletida
Em minha alma cansada
Cansado de esperar tanto
E estar tão apaixonado
Tomara ver-te nas águas
De tão longo amor e saudade
Manuel Vaz
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