RASGOS
O
Sol rasgou o meu corpo
Como
longa lança olvidada
E
a chama envolveu-me todo
Até
o meu coração dizer mais não!
Assim
fleuma chama esvaindo-se
De
eternas pétalas e lírios vãos
Depois
de um mundo quase logro
A
luz encheu-se de mim
Manuel Vaz
RÚSTICOS
Pinheiros
altivos, carvalhos longos
Roçando
as copas pelos céus
Amar
as flores, dar comer às aves
Como
na floresta fosse dia de Natal
Violeta,
lírios, rosas e outras
Hastes,
cálices corolas às cores
Enfeitando
tudo o que é natural
Jardins
intensos rústicos louvores
Manuel Vaz
NA
SELVA
Na
selva do pensamento algumas pétalas se agitam
Deixando
partir flores amadas
Essas
dos bons momentos
Dos
passos e dos sacramentos
Belas
companheiras penitentes
Num
fogo fátuo enchendo fulgores
~Dispersam-se
doces amigas
A
selva desfaz-se em flores
Manuel Vaz
MAVIOSAS
As
estrelas, as maviosas cintilantes
Cruzam
o espaço de mãos crentes
Beijam
uma cruz de uma capela
Caindo
sobre flores diversas e tormentos
Rosas,
jasmins e desfolhadas
Límpidas,
estontecidas desmaiadas
Sobem
os céus deslumbradas
Como
elas nenhumas há na terra
Manuel Vaz
NOVOS
DIAS
Patéticos
dias, peregrinos tristes
Como
a amendoeira perde as suas flores
Iluminam-se
um a um meus amores
E
esqueço que é Inverno
Esperar
pelas pequenas flores
Pelo
chilrear dos passarinhos
Pois
seja tudo uma eterna Primavera
Tu
sempre presente onde estou
Manuel
Vaz
BEIJO
Belas
e dolentes madrugadas
Esperando
auroras de desejos
Como
eu espero e aspiro amor
Nos
meus lábios, lábios teus até ser dia
Se
depois eu te disser, outro dia
Sabes
que não o digo por vaidade
Teu
amor me enche de vontades
E
eu receio que a demora se olvida
Manuel Vaz
PASSOS
Passos
dos meus passos deixam areias
Tácitas
testemunhas de que eu estive
Pelas
praias, pelos rios, pelas ribeiras
Pelas
rochas, pelos seixos até em ti
Assim
tomado de águas transparentes
Tal
gazes que me envolviam
Tapando
meu corpo nu, derradeira
Vontade
de ser livre, como fogueiras
Manuel
Vaz
VITRAL
Mais
lindo vitral eu não vi
Que
todos os dias ao meio dia
Vestia
o altar às cores
As
cores da sagrada família
Como
um caleidoscópio se vestia
E
a gente crente entendia
Que
a luz era uma inocente
Tal
criança que brincava e ria
Manuel Vaz
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