MAR
A força
do mar me sustentava
Como
comesse da boa e do pão
O
rendilhado da maré subindo
Como
beijasse o areal
O
mar engole a broa
Na
esperança que devolvas
Os
corpos de meus irmãos
Tragados
em cachão
Manuel Vaz
TUAS
MÃOS
Tuas
mãos pequeninas, turqueza pura
Mãos
que eu beijei, tão amadas
Eu p’ra
sempre recordarei
Assim
mais que a natureza o permita
Mãos
de lágrimas, mãos de chuva
Que
eu desejo todo o bem
Arco-Iris
de outras alturas
Que
me afagam o coração tão bem
PÓ
LUNAR
Pensos,
Band-Aid clorofórmio e gazes
Tudo
engolido por uma televisão
Que
nem sequer têm cor
Pois
incolores são as vontades
Meu
amigo pode-me dizer?...
Sei
o que procura!!
Mas
o hospital foi bombardeado, morto
Do que
resta é a paisagem da lua
Manuel Vaz
DEPOIS
Nos
mundos que não vês mas presentes
Que
se elevam depois da laje tumular
Longe
das larvas e estertores terrenos
Ai
onde mora a felicidade
Depois
de arrostares po esta vida
Outra
bem maior te garantia
Cobertura
de brancas flores idílico paraíso
Onde
um dia descansarás em paz
Manuel Vaz
MAR
DE ROSAS
Vivemos
num mar de rosas
Ornado
por um espinheiro
São
duras as duras provas
Que
nos prepara o destino
Lutando
contra a maré
Procuramos
pela razão
Mas
a razão desconhece
A
sua própria razão
Manuel Vaz
LÁGRIMAS
Minhas
lágrimas de suor
Abrem
toda a dimensão
E de
novo todo o calor
Abrasa-me
o coração
Luz
que vem luz que passa
Cai-me
toda a solidão
Fico
assim iluminado
Longe
de toda a tentação
Manuel Vaz
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