sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mais poemas de Manuel Vaz

MAR

A força do mar me sustentava
Como comesse da boa e do pão
O rendilhado da maré subindo
Como beijasse o areal

O mar engole a broa
Na esperança que devolvas
Os corpos de meus irmãos
Tragados em cachão

                                       Manuel Vaz

TUAS MÃOS

Tuas mãos pequeninas, turqueza pura
Mãos que eu beijei, tão amadas
Eu p’ra sempre recordarei
Assim mais que a natureza o permita

Mãos de lágrimas, mãos de chuva
Que eu desejo todo o bem
Arco-Iris de outras alturas
Que me afagam o coração tão bem


PÓ LUNAR

Pensos, Band-Aid clorofórmio e gazes
Tudo engolido por uma televisão
Que nem sequer têm cor
Pois incolores são as vontades

Meu amigo pode-me dizer?...
Sei o que procura!!
Mas o hospital foi bombardeado, morto
Do que resta é a paisagem da lua

                                               Manuel Vaz

DEPOIS

Nos mundos que não vês mas presentes
Que se elevam depois da laje tumular
Longe das larvas e estertores terrenos
Ai onde mora a felicidade

Depois de arrostares po esta vida
Outra bem maior te garantia
Cobertura de brancas flores idílico paraíso
Onde um dia descansarás em paz

                                                             Manuel Vaz

MAR DE ROSAS

Vivemos num mar de rosas
Ornado por um espinheiro
São duras as duras provas
Que nos prepara o destino

Lutando contra a maré
Procuramos pela razão
Mas a razão desconhece
A sua própria razão

                                                                 Manuel Vaz

LÁGRIMAS

Minhas lágrimas de suor
Abrem toda a dimensão
E de novo todo o calor
Abrasa-me o coração

Luz que vem luz que passa
Cai-me toda a solidão
Fico assim iluminado
Longe de toda a tentação


                         Manuel Vaz

Sem comentários:

Enviar um comentário